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Inês3D

Inês3D nasce da necessidade de escrever, de partilhar momentos, emoções, dicas, pensamentos... acerca de mim, da minha família e daquilo que considero relevante os outros saberem. Sem nunca ser demais, sem ser de menos...

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21
Out16

À conversa com... Joana Serpa Pimentel

Para hoje nada como uma excelente conversa com alguém que adora Viver, em pleno, que ama espicaçar os caretas, que a sua gargalhada é contagiante e faz qualquer um esboçar um sorriso. Sendo sexta feira, um dia tão feliz, tão promissor e tão rico de descanso partilho convosco uma conversa com uma mulher extraordinária, cheia de vida, com um talento nato, uma paixão pela vida desmedida e muito orgulhosa de ser portuguesa. Nada isto é contraditório à situação em que se encontra, pois esta pessoa decidiu partir (como muitos outros amigos ou familiares) para oriente em busca de uma nova vida, duma carreira promissora, duma terra com potencial e de novos amigos. Dito assim até parece fácil, mas não o é, nem mesmo para ela. Mas chamando-se esta pessoa Joana Serpa Pimentel, tudo é possível.  Aliás os impossíveis são para os fracos e para aqueles que se preferem queixar do que agarrar a vida com garra e ir em frente, à conquista dum lugar lá fora, nem que se tenha de estar de fora a assitir ao sporting ou mesmo a Portugal ganhar a taça do campeonato da Europa.

Hoje converso com uma grande Mulher, muito especial, que acredita ser possível ser feliz todos os dias, tendo sempre de lutar por um lugar ao sol mas com um sorriso permanente. Foi minha colega de carteira e chefe e hoje é acima de tudo uma Amiga muito querida, muito bem disposta e cheia de boa energia e boa onda para nos passar.

Bem-vinda Joana! Muito obrigada por esta conversa inspiradora, contagiante e uma valente lição para tantas pessoas. Tenho a certeza que as tuas respostas vão servir de resposta a muitas perguntas que pairam pelo ar de algumas cabeças ainda na incerteza. 

Aqui fica o "À conversa com..." desta semana. Espero que leiam, que partilhem e que reflitam sobre as ideias e sobre o desafio que a Joana nos deixa.

Joana, obrigada por me dares esta oportunidade de poder partilhar as tuas ideias mostrando que a distância não é barreira para nada. Tudo é ultrapassado quando muito se quer!

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Decidiste emigrar quando e porquê? E porquê a escolha recaiu sobre o Dubai?

 

Joana: A decisão foi tomada em junho de 2013 e não foi uma decisão 100% consciente...! Desde 2001, ano em que fiz Erasmus, que tinha como objectivo ter uma experiência profissional internacional, não sabia era quando. Quando acabei o MBA em Maio de 2013 comecei a pensar nisso mais seriamente. Entretanto surgiu uma oportunidade no Dubai. Para ser honesta ao princípio estava meia reticente… nunca tinha ido ao Dubai nem ao Médio Oriente e sendo mulher sozinha... - ”branca e de olhos azuis sou capaz de render bastantes camelos”, pensei eu! - mas decidi avançar com o processo de recrutamento à mesma. Era uma boa oportunidade e um desafio, e eu gosto de desafios! Paralelamente comecei o “trabalho de campo”: 3 perguntas a 3 pessoas, mulheres, que viviam no Dubai - Posso andar vestida normalmente? Posso andar de táxi sozinha à noite? Dá para ir a praia? A resposta foi sim a todas as perguntas. Nesse momento pensei: porque não? Se não gostar volto para Portugal, não é um drama! Não pensei em muitos mais pormenores e decidi arrancar!

 

Estando longe torna-se muito difícil de gerir as saudades. Sei por experiência própria, pois também sai de Lisboa por um ano e sei o que se sente… As saudades aumentam ou diminuem? Como consegues gerir a vontade de regressar com a necessidade de ficar?


Joana: O que não nos mata faz-nos mais fortes. Vejo as saudades como algo positivo. É sinal que tenho muitas lembranças boas e pessoas de quem gosto na minha vida. Há dias mais difíceis em que o whatsapp serve como uma bengala fortíssima. O resto dos dias foco-me na minha vida cá, porque é cá que vivo. Costumo dizer que tenho um chip – chip Singapura - que ponho quando venho e que só tiro mesmo antes de ir a Portugal. Eu sei sempre quando vou aí com bastante antecedência e sei que não posso ir mais vezes do que as que vou, por isso não há nada a fazer e a vida continua. Ou se escolhe ficar preso ao que não temos e não controlamos ou agarramo-nos ao que temos e controlamos. Eu escolho sempre agarrar-me ao que tenho e o que está ao meu alcance. A saudade está sempre no coração mas aconchegada e eu vivo bem com isso. :)


Este ano fomos campeões da Europa em futebol, e como bem te conheço, és daquelas pessoas que fervem com o futebol, pelos bons motivos. Como conseguiste gerir o ter de celebrar de longe e como o fizeste?

 

Joana: Ui... foi o momento mais difícil desde que estou fora de Portugal! Até uma lagrimita me caiu tal era a vontade de estar aí!!! Isso sim, foi difícil e o meu "chip Singapura" saltou à séria!!! 

O jogo foi às 3 da manhã... e no dia seguinte eu trabalhava. Por isso fui para a cama às 10 da noite e acordei às 2 da manhã. Tomei um banho meia zombie e fui para um Bar onde estavam os portugueses quase todos! O jogo acabou eram quase 6 da manhã, mas o excitamento era tanto que ainda fiquei a festejar... Resultado: cheguei a casa às 7 da manhã, dormi uma hora e fui para o escritório cheia de sono mas com um sorriso de orelha a orelha! Confesso que tive o dia todo a ver noticias, videos, … queria tanto ter festejado em Portugal!!! Se teletransporte existisse…. #emigrasofre

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Se fosse hoje a tomada de decisão tinhas optado pela mesma opção? Tendo em conta que o governo mudou, temos novo presidente, abrimos o MAAT, somos campeões de Europa de futebol, foi o ano com mais mais vitórias no desporto, foi o verão mais quente dos últimos 30 anos…

 

Joana: Sem pestanejar! O que ganhei como ser humano e profissionalmente neste últimos anos não conseguiria ganhar nunca ficando em Portugal. Qualquer que fosse o Governo, por muito cool que Lisboa esteja – que está – e por muitos campeonatos da Europa que ganhássemos. Sabendo o que sei hoje, o que se calhar teria feito diferente era ter vindo mais cedo! Atenção, não quero com isto dizer que não gosto de Portugal –  amo do coração, é o melhor País do mundo!


Quando vens tens por hábito celebrar e para fazê-lo organizas uma festa, sempre temática e muito original. Este mood de celebrar a vida faz parte da tua personalidade, certo? Não sabes viver de outra forma, pois não?

 

Joana: Tenho um Tio meu que me chama a “Joana-sempre-em-festa”! hehe.

É um bocado cliché, mas só cá estamos uma vez e temos que aproveitar bem. Sou muito positiva por natureza (ou por hábito, não sei) e partilhar gargalhadas com os meus amigos faz-me feliz! A ideia de ter um tema aparece porque tenho vários grupos de amigos que não se conhecem(iam) e não queria que nas minhas festas ficassem em grupos, queria que todos falassem e se conhecessem. Com o tema a primeira reacção quando alguém chega é a gargalhada, que é o melhor quebra gelo possível! 

Verdade, acho - tenho a certeza - que seria infeliz se vivesse doutra forma!

 

Que destino se segue depois do Dubai e Singapura?

 

Joana: Boa pergunta! Os meus Pais têm medo que eu vá parar ainda mais longe, tipo Japão! Haha Sinceramente não faço ideia… se me dissesses há 4 anos que eu ia viver no Dubai e em Singapura nos próximos 4 anos eu teria dito que estavas louca! Por isso depende do como a minha vida se desenrolar e das oportunidades que me aparecerem à frente. Tudo em aberto (desde que haja mar!)…

 

Ao ser emigrante sentes que as pessoas do teu “novo" país te olham como uma outsider ou como uma local? Consideras que te integram ou que te incluem? Podes partilhar connosco a perspectiva de residente no Dubai e em Singapura.

 

Joana:  Somos sempre expatriados, seja no Dubai ou em Singapura. No Dubai só 10% da população é que é local, em Singapura acho que é cerca de 40%. Por isso, ser local é que é ser diferente! Ser local no Dubai é um privilégio. Os locais tem benefícios que mais ninguém tem, têm ordenados mais altos, mais oportunidades de emprego e vivem melhor. Em Singapura já não é assim, tipicamente os locais ganham menos que os expatriados, mas têm mais oportunidades também.

Sinto-me muito bem tratada tanto numa cidade como na outra. No Dubai sou branca ou europeia, aqui caucasiana! Confesso que prefiro branca a caucasiana…! 

Ambas As cidades são muito fáceis de se viver, pois estão orientadas para expatriados. Há todos os serviços e mais alguns – entregas a casa, no escritório, roupa no ginásio – só é preciso levar os ténis (ou sapatilhas para a malta do Norte) – tudo feito para se ter uma vida confortável e fácil. 

O Dubai é mais interessante para se viver do que como puro turista, pois vivendo tem-se acesso a um “melting pot” de culturas diferentes que são fascinantes. Fiz amigos de Portugal, Espanha, Itália, Venezuela, Egipto, Líbano, Kuwait, EAU, Colombia, Alemanha, Irão, Australia, Jordânia,...

Em ambos os países, estamos sempre a prazo – os vistos são de 2 ou 3 anos e podem sempre ser recusados passado esse tempo – nunca me aconteceu, mas acontece. No Dubai não há o conceito de residência permanente nem de adquirir a nacionalidade, nem nascendo lá. Em Singapura há residência permanente mas é muito difícil de a conseguir. Por isso a vida é sempre planeada a curto prazo e durante esse tempo tentamos tirar o melhor partido do que o país nos dá. Em Singapura há a cultura das viagens, é um tema comum em todas as conversas e um programa recorrente para o fim-de-semana!  Claro que  adoro!

 

Quais as grandes vantagens de seres emigrante? e as desvantagens, sem ser as óbvias (saudades…)?

 

Joana: 

As Vantagens: Sem dúvida conhecer pessoas de outras nacionalidades e realidades. Pessoas que têm um “certo” e um “errado” diferentes dos nossos. Que trabalham de forma totalmente diferente, com sinais e regras sociais que nunca sequer considerei. Não são melhores nem piores, são só diferentes. Quando confrontados com a diferença, se estivermos abertos a percebê-la, aprendemos muito. Conheci pessoas com casamentos arranjados que são orgulhosamente felizes – algo que pensei ser impossível; outras com recordações de infância regadas a bombas e fugas da Guerra, outros que foram para a guerra  proteger pessoas que não são sua família ou país, outros que já viveram em tantos países que perdi a conta e outros como eu... Sem dúvida que cresço muito todos os dias, ganho “mundo”e agradeço a Deus ter nascido num país que não viu Guerra durante a minha existência. Tive muita sorte de nascer onde nasci - e chegar a esta conclusão foi uma grande vantagem!

 

Desvantagens: Os primeiros meses. Sair da zona de conforto requer muito esforço, especialmente quando se muda de País. Uma pessoa tem que trabalhar para encurtar a curva de aprendizagem no trabalho novo – com pessoas e com métodos de trabalho totalmente diferente - e entregar resultados rápido. Paralelamente temos que procurar e montar numa casa nova - que não se sente como “casa” no princípio. Entretanto também queremos fazer amigos para poder descomprimir e nos integrarmos e por isso diz-se que sim a todos os programas que nos aparecem à frente! Por fim, há aqueles pormenores que são pequenos e chatos como as melgas que nos zumbem nos ouvidos a noite toda.... o descobrir produtos de supermercado que nos sejam familiares, perceber as marcas, se a cereja do irão é boa e a tangerina do Afeganistão é comestível,... enfim, estabilizar a rotina. Os primeiros meses são um bocado desgastante energicamente – mas depois de passar os primeiros meses é como se tivéssemos acabado uma corrida em que suámos bastante, é um sentimento conquista e uma prova que "sozinhos" somos capazes de muito!

Outra desvantagem é estar longe em momentos importantes para aqueles de quem mais gosto... e não poder ir ao estádio ver o meu Sporting #umdrama!

 

Deixa uma mensagem inspiradora a quem esteja a ler esta nossa conversa.

 

Joana:

Em vez de uma mensagem inspiradora vou deixar um desafio. 

Façam alguém sorrir todos os dias, nem que seja uma só pessoa. Sem férias, nem dias “off”! Este é o meu lema pessoal e todos os dias faço por o cumprir. Se todos tentarmos, vamos ser mais felizes, quem sorriu e nós, por fazermos sorrir. #SorrisoASorrisoDiaADia

 

 

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