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Inês3D

Inês3D nasce da necessidade de escrever, de partilhar momentos, emoções, dicas, pensamentos... acerca de mim, da minha família e daquilo que considero relevante os outros saberem. Sem nunca ser demais, sem ser de menos...

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01
Dez16

À conversa com... João Coelho

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Finalmente um homem para o “À Conversa com...” e meninas deixem-me que vos diga – que Homem! Sim, eu escrevi com H grande, pois para mim ele é mesmo isso. Além de ser um Grande Amigo, aquele que eu apelido de BFF, de meu “irmão”, que tem o título, e que o honra, de ser meu Padrinho de casamento é uma pessoa que eu admiro muito e que me inspira. Por essa razão, ele é o convidado do “À conversa com...” desta semana.

O seu nome é João, mais conhecido por João Coelho e conheçi-o há 13 anos quando fui trabalhar para a última agência de publicidade em que estive. Houve de imediato uma empatia, uma “química” de amizade, em que as conversas fluiam, as brincadeiras surgiam, as combinações para programas eram naturais e depressa ficámos Amigos. Inseparáveis desde esse ano. E a nossa amizade foi crescendo, bem como o respeito e a admiração que temos um pelo outro. Saímos da agência onde estávamos, mas não foi por isso que nos afastámos. Já nos cruzámos em outros projetos profissionais mas acima de tudo seguimos no mesmo "caminho". 

Há sempre uma praia por perto, um café novo para experimentar, um restaurante para ir petiscar e aniversários para celebrar. Mas este convite, para o à conversa, não surgiu pela amizade que temos, mas sim porque o João tem um talento, um dom. Quem o conhece sabe do que falo, quem o segue nas redes sociais percebe a que me refiro e quem tem o privilégio como eu de o considerar família sinto-o ainda mais. Sabe escrever como ninguém e tem um humor peculiar, certeiro e acessível. Quando o conheci era copywriter, e estava a sair do forno uma campanha de publicidade para uma conhecida marca de massas, fiquei logo fã da sua criatividade. Anos mais tarde vi-o a desafiar equipas nos campeonatos de improviso no "Santiago Alquimista" e era de chorar a rir... Dono de um estilo de escrita único, decidiu aceitar e criar em parceria com uma amigo, um blog de temas de e para homens, sendo que alguns posts são temas unisexo. Não se esqueçam de espreitar o LiAM – Like a Man e subscrevam para receber em primeira mão os posts. Vale a pena!

Hoje decidi conversar com ele sobre temas, que normalmente não surgem nas nossas conversas, mas que tenho a certeza que vos vão suscitar questões e pensar em assuntos aos quais nunca damos o devido valor. 

 

Bem-vindo João a este espaço e obrigada por aceitares o meu convite.

Sei que sabes, mas vou repetir: És uma pessoa com um enorme e imesurável talento, obrigada por partilhares connosco as tuas ideias e pensamentos, seja pelas redes sociais, seja pelo teu mais recente projeto o LiAM e "keep going"!

 

Vamos à nossa conversa?!

O que querias ser quando eras criança?

João: Ui. Memórias, sou péssimo com isso. Mas a primeira memória que tenho quanto ao que queria ser quando fosse grande era aquilo que, creio, muitos dos miúdos querem ser ainda hoje: o mesmo que o pai. Queria ser bancário, imagina! Um clássico emprego das 9h às 18h. Nada mais “fora” da pessoa que sou hoje!

Mais tarde, enquanto adolescente, descobri uma outra paixão: fazer rir. Adorava (e ainda gosto muito) fazer rir. Há qualquer coisa de mágico numa gargalhada. Ainda por cima aquela era a época do grande Herman José, primeiro no “1, 2, 3” e depois nos programas de autor e eu adorava aquilo. Sabia até muitos dos sketches de cor e repetia-os até à exaustão para os amigos lá da “praceta”. Alguns até me diziam que iria ser o próximo Nicolau Breyner ou Herman José. Estavam enganados, obviamente! (risos)

 

Para quando o lançamento de um livro teu?

João: (risos) Não és a primeira pessoa que me fala nisso, mas não estou a ver isso a acontecer. Por duas grandes razões: o meu enorme respeito pelos escritores de verdade; e o meu estilo de escrita. Não tenho esse estilo, de escrever longas prosas, que relatem uma história com princípio, meio e fim. Gosto de escrever sobre coisas do quotidiano. Quem sabe, um dia não me contratam para escrever umas crónicas num jornal daqueles gratuitos, para começar? Ah, já não há tantos pois não? Olha, é pena! (risos)

 

Agências de publicidade, Comunicação corporativa e City Branding qual a lição que aprendeste da experiência profissional que tiveste nestas áreas de negócio?

João: Ui, tanta coisa! Aprendi a respeitar (sempre) o cliente, não achando que o trabalho criativo é mais importante do que marca dele e, sobretudo, os resultados da campanha. Aprendi que ele tem um negócio, que vive das vendas e não do “boneco” que estamos a fazer, por mais espectacular que ele seja! (risos)

Aprendi que todos, na cadeia de valor, somos importantes. Da “miúda” que atende o cliente na loja, ao designer que cria o produto, até ao fornecedor daquela pequena peça que compõe o produto. Sem aquela pequena peça, não será o mesmo produto.

Aprendi a valorizar ainda mais a amizade. De sabermos rodear-nos de bons profissionais, mas mais do que isso, de óptimas pessoas. São elas que constroem a cultura da empresa e que fazem desta um bom lugar para se trabalhar. Não é por acaso que alguns dos meus bons amigos de hoje foram, em tempos, meus colegas de trabalho. Foi assim que os conheci. Tu és um exemplo disso, de resto.

Aprendi que aquilo que dás é aquilo que recebes. Se dás respeito, atenção e és profissional, recebes isso e muito mais. Podes ter problemas, claro, mas quando lidas com clientes muito exigentes, eles vão saber reconhecer que isso por vezes acontece. Infelizmente, nem sempre vai correr tudo bem, mas o que não podes deixar de fazer é dar sempre o teu melhor. Sempre!

 

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O que te falta fazer para poderes dizer – “Estou orgulhoso e aqui está o resultado”.

João: Felizmente, já o disse algumas vezes com pequenos projectos ou com “empreitadas” maiores, algumas delas com areia a mais para a minha camioneta! (risos).

Mas se me perguntas isso numa lógica de carreira, de grande “accomplishment”, acho que vai faltar sempre alguma coisa. Faz parte de mim essa insatisfação permanente, essa procura de outro desafio, diferente do anterior. Honestamente, duvido que alguma vez o possa dizer sem pensar no que vou fazer a seguir. Acho, de resto, que essa será a minha grande qualidade profissional e será, ao mesmo tempo, o meu maior “defeito”, no sentido em que quero sempre mais. E essa insatisfação permanente por vezes é complicada de gerir. Às vezes faz-nos bem ficarmos “só” satisfeitos com o que alcançámos e desfrutar.

 

Eu acredito que a nossa vida muda de 10 em 10 anos, mas não daquela forma com que os dias passam, as estações do ano alteram, e a evolução acontece. Eu acredito piamente que as décadas são sinais dos tempos. Entraste numa nova fase da tua vida, profissional, e o ano passado celebrámos o teu 40º aniversário – O público quer saber o que é que andas a preparar? 

João: Caramba, se entrei! (risos) Acho que no meu caso os meus ciclos são mais curtos! Tenho uma grande tendência para dar umas valentes voltas na minha vida, vejo isso agora. Terá a ver com a tal insatisfação de que falei há pouco, mas também com uma certa exigência. Custa-me muito estar insatisfeito e não fazer nada para alterar isso. Por vezes consigo fazê-lo “por dentro”, em mim mesmo, e manter-me nos projectos, mas às vezes é mesmo preciso ir à procura da nossa felicidade noutro lado.

Actualmente, honestamente, não estou a preparar nada em concreto. Estou numa pausa sabática, de que estava a precisar, e tenho algumas coisas em vista. No entanto, e voltando à questão dos ciclos e sobretudo dos 40 anos, sinto que houve uma mudança interior muito relevante. Sempre ouvi dizer que a partir de uma certa idade começávamos a ligar menos (ou mesmo nada) ao que os outros pensam sobre nós. Sinto muito isso agora. E eu sempre fui um tipo muito “self conscious”, muito preocupado com o que os outros pensavam. Noto que estou menos.

E provavelmente o que vou fazer a seguir não terá muito a ver com o que fiz até aqui. Sinto essa necessidade de me reinventar. Li há tempos uma entrevista de alguém que dizia que ao longo da vida devíamos ter mais do uma carreira profissional; pelo menos duas ou três diferentes. Já tive duas, se calhar está na altura de uma terceira! (risos).

 

Lançaste há pouco tempo um projeto, um blog, em parceria com outro “macho”. Queres contar-nos como surgiu este projeto? O que é? E que surpresas reservas para nós? 

João: (risos) Sim, somos dois machos e um blog! O Filipe foi meu colega de faculdade, mas enquanto eu segui publicidade e marketing, ele seguiu jornalismo. Já fez muita coisa, viveu fora e agora é editor da Distribuição Hoje. Já passou dos 40 e achou que seria bom criar algo de homens para homens. Lançou-me o desafio e assim nasceu o LiAM – Like a Man. A ideia é exactamente essa: partilharmos a nossa perspectiva da vida. O que gostamos, o que compramos, o que lemos, pensamos e, no fundo, aquilo que somos. Homens com mais de 40 anos, ele casado e com filhos, e eu solteiro. E a verdade é que está a ser muito giro. Obriga-nos a pensar mais sobre as coisas, numa perspectiva de exteriorizar o que sentimos em relação a uma série de coisas, das mais banais até coisas um pouco mais profundas, que mexem um pouco mais connosco.

Surpresas teremos algumas, já que ideias não nos faltam. Vamos ver se teremos tempo para fazer tudo! (risos) Mas gostávamos de envolver mais pessoas no projecto, como convidadas, e ter outro tipo de plataformas para podermos levar as nossas escolhas e opiniões um pouco mais longe. Mas ainda estamos muito no início. Veremos como corre.

 

Se pudesses escolher um talento, aquele te destaca da multidão, qual escolherias?

João: Gosto de pensar que sou um tipo criativo, e essa será a minha grande qualidade, essencial em tudo o que faço, mas prefiro pensar que a minha grande qualidade será a sensibilidade. Quando trabalhas com marcas e com pessoas, é a sensibilidade que te permite saber até onde podes/deves ir. Permite-te “ler” não só o cliente/dono da marca, mas também perceber como consegues chegar ao consumidor final. No meio criativo, noto que muitas vezes falta essa sensibilidade. Há muitas vezes uma falta de noção do que se está a fazer e para quem. Perde-se isso de vista e fazem-se coisas muito para o umbigo e não tanto para o cliente, o que é pena.

 

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Qual é a música da tua vida? E o livro? 

João: A beleza da música é que evolui e cresce connosco. O que ouvimos hoje pode ser bastante diferente do que vamos ouvir daqui a 10 anos. Cresci a ouvir U2 e serão sempre uma referência para mim, como serão para muita malta da minha/nossa geração. Mas ouço muita coisa, muitas vezes em função do estado de espírito e do que estou a fazer. Recentemente “descobri” o prazer de ouvir podcasts. Faço download para o ipod e ouço sobretudo no carro. Gosto desse pequeno prazer de conduzir a ouvir entrevistas interessantes.
Mas respondendo à tua pergunta, não tenho propriamente uma música preferida, tal como não tenho um livro. Sempre adorei ler, felizmente os meus pais incutiram-me o gosto pela leitura desde cedo. Lembro-me de ler as aventuras do “Enciclopédia Brown”, em que tínhamos que tentar descobrir o final da história, desvendando o mistério. Adorava aquilo. Era super estimulante. Voltando à tua primeira pergunta, durante algum tempo achei que podia ser detective particular (risos).

Mas há um livro que li há muitos anos, que me marcou bastante. “A voz do Deuses”, de João Aguiar, que conta a história de Viriato, numa perspectiva muito interessante e pessoal, que na altura me tocou. Depois, gosto muito do Luís Sepúlveda, devo ter lido quase todos os livros dele, e do Haruki Murakami. Noutro registo, adoro as crónicas do Luís Fernando Veríssimo, sempre com um sentido de humor maravilhoso.

 

De onde surgiu a paixão que tens por motas?

João: É uma coisa relativamente recente. Comprei a minha primeira mota já depois dos 30, e depois disso já devo ter tido algumas sete ou oito, vê lá tu o disparate! Primeiro foi uma Vespa 50cc, depois passei para as 125cc e depois “tive” que tirar a carta, para poder conduzir outras cilindradas. É um vício, isto! (risos) Mas é muito bom, não só a sensação de liberdade que se tem ao conduzir uma mota, mas também – e sobretudo – o não ter de estar preso no trânsito. Sou muito impaciente e se há coisa para que não tenho a menor paciência é para filas de trânsito. No verão então, é maravilhoso. Chego à praia num instante, como bem sabes!

 

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Deixa uma mensagem a quem está a ler este “À conversa com...”

João: Uma coisa motivacional, tipo Gustavo Santos? (risos)

Bom, queria dar-te os parabéns pelo que estás a fazer. Sobretudo por conseguires arranjar tempo para o fazer! Creio que serás, com certeza, uma inspiração para muitas “working mums”.

Depois, queria dizer aquilo que escrevi há pouco num post do LiAM, e que tem a ver com o prazer de fazermos aquilo de que gostamos. A vida é realmente muito curta para fazermos coisas que não nos fazem felizes. Seja no campo profissional ou pessoal. É importante ouvirmos a nossa voz interior. Ela sabe sempre dizer-nos para onde devemos ir. Podemos não conseguir chegar lá num mês ou num ano, mas se formos fazendo o nosso caminho sempre com “os olhos no objectivo final”, um dia chegamos lá. Eu ainda estou a caminho! (risos)

 

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